bdsm submissao a submissaoPalavra de origem latina submissionis, ou submissão significa abaixamento; inferioridade. Sendo assim, ser submissa é estar em atitude de rebaixamento, ou ser inferior? Não. No contexto SM a submissão é uma entrega livre e consentida de uma pessoa (dominada) à outra (dominante) para que esta assuma o comando sobre si. Portanto, mesmo assumindo um papel oposto ao do dominador, não quer dizer que a submissa seja menos importante, ou inferior.

O jogo SM é um acordo voluntário entre as partes onde um manda e o outro se submete e ambos decidem participar do jogo, respeitando os limites de cada um. E nesta relação D/s é sabido que o que acontece não é a realidade, mas sim, uma fantasia vivenciada e consentida por ambos.

No meu entendimento, o ato de se submeter não é uma mera obediência externa. Ser submissa é prestar uma obediência inteligente e intima a uma autoridade a quem se reconhece. É aflorar o espírito submisso, mesmo que aquele que domina não esteja por perto. É renunciar-se por vontade própria diante da orientação daquele que exerce domínio sobre si. Como subsistir uma relação D/s se a submissa não se predispõe e não se subjuga à autoridade do Dono?

A submissão nada mais é do que uma falta de liberdade confortável, suave, razoável e prazerosa que implica não somente no prazer de estar na condição de dominada, como de proporcionar o prazer do Dominador. Quando a submissa sente esse prazer de quem a domina, seja durante uma cena ou fora dela, isto se torna uma fonte inesgotável de inspiração para o seu próprio prazer, seja por um gesto, um olhar, uma palavra, um pensamento...

Eu muito tenho observado nos relacionamentos D/s e grande parte do que percebo tem origem nas minhas próprias experiências já vividas, que há uma confusão de sentimentos, de ações e de propósitos nesse jogo SM. Quando me predisponho a assumir a coleira de uma submissa, eu ofereço a ela meu cuidado, meu carinho, a minha proteção e o meu domínio sobre sua vida. Isto se dá por meio de uma constante e praticamente diária convivência, seja por meio de conversas, troca de e-mails, ou nos encontros reais para a realização de sessões.

Quanto mais eu percebo a entrega de uma escrava, mais eu tenho prazer em me desdobrar de cuidados sobre ela. Nenhuma relação D/s é igual a outra. Na minha fantasia eu convivo ao mesmo tempo com mais de uma escrava e me dedico a cada uma com atenção diferenciada, conforme o eco que encontro às minhas atitudes. Quanto maior a entrega, maior a cobrança e, por conseguinte, mais a minha atenção elas têm.

Acredito que viver a submissão não é algo simples, porque exige desprendimento e uma vez exposta e assumida ela passa a fazer parte da personalidade de quem a escolheu. Entendo que ela deve ser vivida sem cobranças e sem falsas expectativas de ambos os lados. Nenhuma das partes deve procurar na relação frutos que não é capaz de gerar, ou seja, a submissa não pode cobrar atitudes e comportamento de seu Dono se ela própria tem limitações que a impedem de se entregar de fato; da mesma forma o dominador não pode cobrar o que não pode oferecer.
 
Submeter-se é aprender a caminhar de tal forma que o desejo de pertencer a faça confiar e a respeitar quem a domina. É enxergar o outro e projetar-se nele sem se anular. Contudo, a submissão implica muitas vezes em acreditar no sonho, investir nele, mesmo que para isso, seja preciso abrir mão de muitas coisas. O objetivo é a entrega plena e em conseqüência deste resultado, outras conquistas podem vir como acréscimo, até mesmo um relacionamento além da relação D/s.

Como dominador, eu me encanto com a entrega de uma submissa e quero ter ao meu lado uma cúmplice dos meus desejos, uma pessoa que saiba agregar, que se comprometa em viver comigo a minha fantasia, e que isto lhe traga prazer. Não alguém que não saiba enxergar o papel que ela escolheu; não alguém que queria colher flores antes mesmo de plantar a roseira.

Por isso mesmo, eu sempre tenho procurado pessoas que estejam em consonância com o que eu acredito e vivo; Procuro por submissas que saibam realmente viver a sua submissão o que me permitam conduzi-las com respeito e seriedade.

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