cartilha rotina bdsmPassados os momentos de deslumbramento e adaptação é hora de começar a viver a fantasia  de fato e com ela vem o dia a dia e ao que chamamos de período que não termina mais – a rotina! Ela traz a realidade nua e crua. Já não acontece mais as condescendências e muitas vezes as dificuldades fazem cair a “máscara” usada no período da negociação  e da conquista; o que se espera do comportamento pode não ser aquilo que foi tanto idealizado.

Este é o momento que digo sempre: chegou à hora de separar as submissas das crianças - fazendo alusão àquelas submissas que apenas se dizem ser, mas quando são chamadas a viver a submissão de verdade não conseguem, por não ser este o seu objetivo na relação - falo isto porque de fato são muito poucas as submissas que conseguem entender o real sentido de uma relação de Dominação e submissão e da própria submissão.

São poucas que conseguem viver o papel que o Dono escolheu para elas de uma forma madura e com os pés no chão, menos ainda são as que conseguem por meio de um esforço enorme “controlar” sentimentos como carência e ciúmes – que acabam sendo pratos cheios para serem trabalhados no lado psicológico – evitando que eles interfiram na relação de forma a deteriorá-la.

Como mantenho sob meu domínio várias escravas, pois esta é a minha fantasia, a vivência da rotina torna-se mais complicada, principalmente para as escravas que já estão no Reino há mais tempo.  No Reino, em números redondos, tenho uma escrava que está comigo há seis anos; duas estão há quatro anos e outras três há um ano se dedicam com toda entrega e submissão. Sempre que paro para pensar a respeito disso me dou conta do quanto elas são fortes e vivem a minha fantasia de uma forma ímpar.  

 
Os dias passam, a rotina cansa, pois tarefas contínuas  são ordenadas e algumas são um verdadeiro exercício de enxugar gelo. Tarefas que devem ser desempenhadas, muitas vezes, diariamente; regras são estabelecidas, algumas delas e para algumas escravas bem rígidas; castigos são aplicados, não só no lado físico, mas no psicológico; as privações do Dono são mais constantes, as regalias são subtraídas, os papéis mudam, escravas da Classe Alta  voltam para a Classe Baixa; desafios como ter que servir a uma Rainha ou, o que é pior, se tornar kriada da Classe Alta; são expostas ao seu limite e conforme o nível de entrega; sofrem por se sentirem preteridas quando uma nova escrava entra e chama mais a atenção do Dono.
 
É admirável ver que verdadeiras submissas passam por tantas provações e mesmo assim continuam com o firme propósito servir o Dono que escolheram; que sua opção por viver o SM não foi um ato leviano, mas maduro e consciente. É surpreendente ver como elas buscam sempre uma forma de superar seus limites e ainda assim se apresentarem belas, doces e disponíveis para realizarem Aquele que as conduzem.
 
Por outro lado nem todas conseguem trilhar esse caminho por vários motivos: falta de sintonia com a fantasia, acredito ser o principal deles. Muitas vezes elas percebem isto na fase de negociação, mas acreditam que com a convivência as coisas irão mudar para algo mais próximo do que desejam... Ledo engano. Outras desistem da relação por não conseguirem lidar com as mudanças; algumas pela pressão  e assim vai.
 
O desgaste provocado pela rotina, só pode ser superado com uma fantasia consistente e pelo amor, muitas vezes incomensurável que a submissa tem por seu Dono. Somente as pessoas que abrem mão de si em favor de outrem por meio do sofrimento amoroso sabem o quanto é difícil de viver assim, dia após dia... Ano após ano.
 
A base da rotina é a aproximação do sofrimento. Isto é encantador, pois quanto mais sofrem, mais amam o que vivem e mais se tornam mulheres melhores e mais bem preparadas para a vida. Como diz uma pessoa que admiro muito: "Pensando bem, o sofrimento é enriquecedor".

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