entrevista bdsm switcher maria posA nossa convidada para a entrevista é a querida Maria Pos. Uma pessoa encantadora que já passou por muitas e singulares experiências. Uma mulher que se permite! Ela aborda o tema “A condição de Switcher”
 
Seja muito bem vinda Maria!
 
 
Reino de K@ - Fale um pouco para a gente o que é ser switcher? Como esta vertente aflorou em você? É sabido que você é uma hedonista convicta; esta busca pelo prazer pleno, sem tabus, que inspirou esta sua opção?
 
Maria Pos - Eu sempre brinco que ser Switcher, para mim, é poder aproveitar 100% do potencial de prazer de qualquer relacionamento, sem limitá-lo a um único lado, que seria 50%...  Com certeza, foi essa fome de viver, essa busca pelo prazer pleno que fizeram com que nunca tenha querido limitar minha sexualidade a um único papel ou sexo. Porque além de SW, descobri que vivo muito bem a bissexualidade. E as coisas sequer foram planejadas ou muito elaboradas, eu não decidi um dia virar ou me assumir SW, elas simplesmente foram acontecendo e eu fui entrando, experimentando - e gostando.
 
Um fator que provavelmente me ajudou a mergulhar cada vez nessa diversificação de papeis é o fato de minha educação ter sido extremamente liberal e até libertina no que diz respeito a sexo. Nunca tive grandes tabus, meu pai era um tremendo libertino e foi minha avó quem me deu, ao fazer 21 anos, o livro "120 dias de Sodoma", de Sade. Nunca tive o sexo como algo errado ou vergonhoso. Então, o que foi acontecendo sempre foi visto com naturalidade. E natural, para mim, é experimentar de tudo ao menos uma vez... e se for bom, repetir!
 
 
Reino de K@ - Dominação, sadismo, submissão e masoquismo. Tudo isso acontece com você? Em que circunstâncias? Alguma das posições prevalece em você? Em algum momento de vivência de uma das posições o outro lado interferiu?
 
Maria Pos - Sim, eu vivo de tudo um pouco, depende da motivação, do momento e dos parceiros. Até baunilha posso ser dependendo das circunstâncias e acho uma delícia um bom papai-e-mamãe. Mas acho que o que menos eu exercito, na verdade, é a submissão - eu costumo dizer que não sou submissa, mas que me submeto a quem faz por merecer, como no caso Mestre Dexter, meu parceiro nesta jornada há mais de três anos e outro hedonista de carteirinha. O outro lado sempre se intromete, claro, não dá para separar as coisas. Se quem tenta me dominar não tiver mão firme, se hesitar, não souber me conduzir, eu viro o jogo tranquilamente - e nem sempre isso vai ser ruim, não acho que desmereça ninguém mudar de lado em determinado momento, por curiosidade ou mesmo tesão e pronto. Não faço questão de papeis definidos. Mas se conseguir me dobrar, eu me entrego com todo o prazer, porque reconheço o Domínio.
 
Isso não significa, entretanto, que vou ficar o tempo todo fazendo queda de braço com quem me domina. Ao contrário: adoro quando alguém consegue me submeter e minha entrega é completa. Da mesma forma como exijo que quem se entrega a mim venha por inteiro, sem rastejar ou choramingar, mas com a serenidade de quem sabe o que quer.
 

Reino de K@ - O papel switcher inserido no universo BDSM... Sabemos que esta figura é vista por muitos de forma preconceituosa, no entanto, os adeptos do SM já fogem de tantos preconceitos advindos de tradições sociais. Seria o gueto do gueto? Como você vê isto?
 
Maria Pos - Acho que isso já foi mais frequente que agora, principalmente entre o pessoal mais antigo, da velha guarda. Da mesma forma que havia preconceito contra homo e bissexuais, havia também em relação à contrapartida destes no universo BDSM. À medida que mostramos, os que fazemos essa opção, que não estamos nem aí em relação ao que possam pensar os outros sobre nossa sexualidade, e não aceitamos dar a cara a tapa como vítimas ou minorias, essa animosidade tende a se diluir.
 
Uma coisa interessante é que se você lê as obras de Sade, os libertinos que nos inspiram e dão nome eram, em sua maioria, Switchers. Eles gostavam de dar e levar, da dor e do prazer, inversão e felação eram comuns e não necessariamente inerentes a um único papel. Os Tops, como Senhores, tinham direito a tudo - direito à vida e à morte de seus escravos e vítimas e direito a ter todo tipo de prazer, viesse como viesse.
 
Eu, particularmente, nunca tive qualquer problema de relacionamento no meio organizado (???) por causa de minha opção. Mas também nunca abri a guarda para permitir palpites em algo tão íntimo, pessoal e intransferível como a minha sexualidade e as fantasias que me dão prazer.
 
 
Reino de K@ - Pode nos dizer um momento marcante vivido como Dominadora e como escrava/submissa?
 
Maria Pos - Acho que o maior prazer de quem domina é iniciar alguém que começa a engatinhar por este mundo e chega com fome de bola e boa fé. Então, um momento dos mais marcantes foi a iniciação de um menino que descrevo no meu blog, o Beto, que teve a coragem de me pedir para iniciá-lo sem ter a menor noção dos seus limites (na verdade, nem do que seriam limites no caso, posto que ele era totalmente neófito) e foi muito além do que imaginava, numa cena pública de nudez total em pleno X do Dominna, da qual participaram pessoas muito queridas como o SR WZ, sua princesa e a Gata. Foi um momento mágico, com certeza.
 
Já como submissa, eu diria que o momento mais marcante foi aquele em que me entreguei completamente, às cegas e no primeiro encontro, ao Domínio de Mestre Dexter, pondo-me a sua total disposição sem restrições e numa confiança absoluta. Foi um risco assumido do qual felizmente nunca me arrependi e um momento de deslumbramento com algo que não imaginava que fosse mais acontecer, pois vinha de relações difíceis com Tops que não seguravam seu Domínio e achava que esse negócio de submissão não era comigo...  
 

Reino de K@ - Seu Dono a incentiva viver a dominação? Ele sente prazer em vê-la dominar? (Caso isso já tenha acontecido). Domina homens, mulheres ou os dois? Serve mulheres, homens ou os dois?
 
Maria Pos - Bem, primeiro eu quero frisar que não tenho nem nunca tive Dono, não dou nem recebo coleira. Tenho um Mestre que amo com paixão, ele me tem mais que qualquer Dono poderia imaginar, nossa relação está gravada na pele sob a forma de uma tatuagem que ambos fizemos juntos, mas temos acima de tudo uma relação de independência e cumplicidade que permite e estimula que tenhamos as experiências que valerem a pena, estejamos juntos ou não. O que lhe dá prazer me dá prazer e vice versa e se algo o faz feliz, me fascina também saborear-lhe a felicidade. Então, ele gosta, sim, de me ver dominar e me incentiva sempre que aparece uma oportunidade. O mesmo acontece comigo, adoro vê-lo em ação...rsrs...somos ambos exibicionistas e voyeurs, então a confusão está armada...
 
Eu gosto de dominar homens, nunca dominei uma mulher a não ser em pequenas cenas. Mas o que mais gosto é da ideia de dobrar um macho inteiro, que não é um submisso do tipo rastejante, que quer ser tratado como verme. Assim como quem monta sabe o tesão que é cavalgar um animal puro sangue, que exige controle total o tempo todo, dobrar um homem que se garante e desafia com cada músculo o controle é simplesmente fantástico. Eu recomendo...rsrs
 
 

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