- Categoria: Entrevistas
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Masoquismo parte integrante da sigla BDSM muitas vezes nos parece distante e irreal. O que é masoquismo para você? É dor? É capacidade de entrega? Afinal de contas, quanto uma pessoa realmente agüenta de dor e ainda consegue gostar dela? Em uma nova entrevista exclusiva, temos o prazer de falar de como dor é gostosa para eles que gostam de senti-la!
Sobre nossa entrevistada: tavi tem 30 anos e reside em São Paulo, capital. Ela é first girl e pioneira em Gor no Brasil, junto com seu Dono, SENHOR ÁSGARÐ, com quem vive uma relação de longo prazer 24/7.
kathy: Primeiramente, obrigada por estar participando da entrevista, é realmente um prazer poder entrevistar você tavi.
tavi: Prazer é todo meu.
kathy: Você poderia nos falar um pouquinho sobre quem é a tavi?
tavi: A tavi é uma pessoa que busca viver a vida da forma mais intensa possível. Tem sua vida comum, com família, trabalho, rotina e também escolheu viver seus desejos menos comuns. Masoquista, submissa, goreana, mas antes de tudo, humana.
kathy: Como foi ser pioneira em Gor no Brasil? O que Gor significa pra você?
tavi: Foi incrível. É difícil descrever a delicia de ter acompanhado o crescimento de Gor no Brasil. Eu me lembro muito bem de ter aberto a comunidade Gor Brasil no orkut. Não tinha ninguém. Eu pedi para uns amigos baunilhas entrarem pra dar uma força pra comunidade. Hoje, acho que todo mundo que freqüenta de alguma forma o "meio" já ouviu falar sobre GOR, que é meu Lifestyle e filosofia. Aprendo muito lendo os livros e é a forma de pensar que melhor define o que eu acredito. É um estilo de vida pelo qual tenho muito carinho. É parte de mim.
kathy: Como funciona o masoquismo em Gor?
tavi: Bom, Gor é um lifestyle muito mais baseado na D/s do que no SM. A dor, em Gor, é usada como punição. Fora isso, o masoquismo não está previsto. Gor é sobre dominação e submissão. O sadismo e o masoquismo não são obrigatórios a nenhum goreano. O que acontece é que, como no Brasil, Gor apareceu dentro da comunidade BDSM, muitos goreanos são também sádicos ou masoquistas.
kathy: O que é, pra você, ser masoquista? como funciona o seu masoquismo?
tavi: Conheço-me masoquista desde a infância. Sempre tive isso dentro de mim. Não vejo ser masoquista como uma escolha. A minha relação com a dor é algo muito gostoso e tranqüilo. Eu sinto essa necessidade. É erótico, sim e não precisa estar sempre ligado a sexo. Faz-me bem. Após uma sessão, eu me sinto mais forte, e muitas vezes eufórica. Masoquismo, para mim, é prazer em primeiro lugar.
kathy: O ralador é um dos motivos pelo quais muitos te conhecem, como surgiu essa idéia de apanhar de ralador?
tavi: É engraçado. A primeira vez que ouvi falar em spanking com ralador, foi em uma conversa com o Senhor Art Dominus, creio que em 2005. Eu sempre tive uma atração grande por blood play (gosto de me cortar, de ver e sentir o sangue). Eu nunca esqueci e isso estava entre meus desejos. Só fui saber o que era, na pratica, anos depois quando meu Dono, SENHOR ÁSGARÐresolveu me fazer uma surpresa. Foi amor à primeira vista. O ralador, apesar de causar um efeito impressionante, não é algo que cause muita dor. Dói, lógico, mas bem menos que um chicote longo, por exemplo. Agora para quem gosta de sangue, do efeito psicológico disso, é fascinante. Eu sou muito grata pelas cenas em que Dono usou o ralador comigo.
kathy: Porque se cortar? Seu Dono controla seus cortes?
tavi: Eu já ouvi todo o tipo de explicação, até de profissionais de psicologia, mas eu não consigo me enquadrar em uma delas. Eu me corto quando estou triste e sim, isso me causa alívio. Também me corto quando estou vivendo algo muito bom, um momento do qual quero me lembrar. A sensação é diferente dependendo da motivação. Já me disseram que me corto para me punir, só que não me sinto culpada.. rss. Disseram-me também que eu me corto porque eu preciso por algo pra fora e não consigo, mas quem me conhece sabe que quando eu tenho algo pra dizer, eu dou um jeito.. rss. Também ouvi que eu me corto pra me sentir viva... pode até ser! A minha melhor explicação é que eu me corto pelo prazer disso, e isso é coisa que poucas pessoas conseguem entender. Sobre meu Dono controlar os meus cortes, em geral ele não me poda quando a minha vontade é grande. A ordem dele é que eu preciso pedir. Eu sei que ele não gosta que eu exagere, então eu evito fazer sempre. Quando preciso, peço! Poucas vezes ele proibiu.
kathy: Você cuida dos seus machucados depois que os faz? como?
tavi: Apenas tenho os cuidados mais básicos, desinfeto o local. Meus cortes são superficiais. Eventualmente, quando é algo mais fundo, até é interessante cobrir os cortes, mas isso é muito raro, dada a natureza deles.
kathy: Qual o limite do seu masoquismo?
tavi: Rsss... Uma masoquista raramente dirá isto. Acho que faz parte do nosso perfil gostar de deixar isto em aberto. Eu preciso muito estar em um relacionamento no qual o TOP saiba muito bem o que está fazendo porque, o masoquista, em geral, é orgulhoso, e gosta de desafios. Quando um spanking passa de um certo ponto, eu paro de sentir dor. Isso já aconteceu várias vezes. Se chegar nesse ponto, eu não tenho limites. Não vou pedir pra parar, até porque deste momento eu perco a sensibilidade, portanto, não tenho mais um bom julgamento. É esse o risco que vejo em se confiar na safeword. Meu limite, muitas vezes, é o bom senso do meu Dono.
kathy: Você tem safeword? Acha a safeword importante pra um masoquista?
tavi: Acho a safeword muito importante na grande maioria dos casos. Eu, apesar de não ter safeword, falo português. É claro, que, qualquer desconforto inesperado, eu informarei diretamente ao meu Dono, para que ele tenha todas as informações de que precisa, mas vivo um relacionamento longo, com um Sádico que me conhece profundamente. Demora muito para se conhecer alguém e não dá pra confiar só na safeword. O mais importante sempre vai ser o TOP estar de fato no controle. É observar, sempre e não ignorar as reações só porque a safeword não foi pronunciada.
kathy: A dor física é importante pra construção de uma escrava?
tavi: Eu acho que não. Punição é importante para a construção de uma escrava, mas tem várias formas de se punir. A dor não é algo sem o qual não se possa moldar uma sub. É uma das ferramentas. Acho que vai depender muito do perfil de cada escrava. Pra mim, a ausência seria uma punição muito mais eficiente do que a dor para me moldar. Não apenas pelos motivos óbvios, mas também porque tem coisas e coisas que mexem mais com alguém do que sentir dor física. Dor física é algo com o que se aprende a lidar bem rápido. Ela dói e passa. É fácil manipular a dor.
kathy: O que hoje é um limite para você no BDSM?
tavi: É difícil eu falar de limite, porque eu não consigo pensar em algo que eu NUNCA faria. Nunca é uma palavra muito forte. Dentro do que é BDSM, acho que tudo pode ter um lado gostoso. Eu não faria nada que me causasse danos definitivos, mas não sei se algo que causasse esses danos pode ser considerado BDSM. Ah sim... eu não me tatuaria. Pronto... rsss. Apesar de não causar DANO, marcas definitivas não estão entre as coisas que eu faria. Nem por submissão... rs
kathy: O que você tem vontade de fazer e ainda não fez.
tavi: Sutura. Já tive agulhas fechando os lábios vaginais, mas sutura mesmo, ainda não. Acho fantástico (e a dor deve ser fantástica também).
kathy: Terminando... você deixa um recadinho para os sádicos e os masoquistas?
tavi: Vivam. Vivam muito. Para os Sádicos que tem uma masoca nas mãos, sejam criativos! Vocês tem uma pessoa cheia de desejos e que precisa ir sempre além. Cuidem, mas não tenham pena. Divirtam-se muito. Para as masoquistas: escolham muito bem a quem pertencer.
Entrevista conduzida dia 3 de março por kathy { K@ }



