entrevista terra do nunca bdsmQuem nunca passou por uma curta síndrome de Peter Pan? Quem não sente falta de cachorro-quente, brigadeiro e cheirinho de giz de cera novo? Ursinhos de pelúcia, barbies e navios de pirata estão de volta à ativa nesse mundo - quase inexplorado - do BDSM. Senhoras e Senhores, escravos e escravas leitores, temos o prazer de apresentar uma fantasia que vai acordar a criança que há em você porque...Todas as crianças crescem, menos, claro, os praticantes de Ageplay!

 
Sobre nossa entrevistada: Marianna (nanna) é brasileira e tem 22 anos. Natural de São Paulo ela vive uma relação de Ageplay com seu DaddyDom de 46 anos. Juntos dividem várias horas do dia na casa dele, onde toda fantasia acontece.

 
kathy : Me fale da sua personagem.
marianna: Eu interpreto o papel de uma pré-adolescente de 12 a 15 anos, geralmente. Sou chata, mimadinha, teimosa e sexualmente uma lolita.

kathy: Lolita, isso é uma regra do ageplay?  
marianna: Não. Tem pessoas que curtem fralda, mamadeira, então não dá pra ser Lolita. Eu gosto do lado do erotismo, da sedução e uni isso ao ageplay que é a paixão da minha vida.

katashi: Como você se vê dentro do fetiche?  
marianna: Normalmente eu sou a filha, sobrinha ou enteada, só.
 
katashi: E como você se descobriu neste fetiche? Como você se descobriu infantilista?
marianna: Foi assim um dia eu tava procurando um Dominador e nada me satisfazia. Odiava ser escrava mas sentia que tinha algo no BDSM pra mim. Então eu conheci o Fernando que era daddydom, e brinquei com ele uma vez e fiquei maluca, me achei tototalmente, foi quase uma loteria. Mas foi tão mágico que pirei! Na hora falei: Meu, é isso, eu sou do age!
 
kathy: O que é o ageplay, o conceito?
marianna: O ageplay significa você interpretar uma idade que não é a sua ou viver um relacionamento com uma pessoa que interpreta essa idade.

kathy : E como é isso? Você realmente vive a idade na integra?
marianna: Sim, mas como é BDSM tudo é possível. Tem pessoas que gostam de sexo no ageplay, eu não. Assim, eu trabalho a ideia do estupro consensual, mas ainda não rolou por medo da minha parte principalmente.

kathy: Já que falamos de uma vivência, me diga, quais são as práticas do ageplay?  
marianna: O ageplay geralmente é TPE, então, o TPE é um definidor. O spanking, claro, rape play, enemas, humilhação... Tem muita coisa, o que couber no contexto. Isso vai desde enemas até o simples ato que ser pega no colo pra dormir. Já tentei a amamentação (com leite materno) algumas vezes só que tipo o gosto é horrivel!O ageplay é bem carinhoso algumas vezes, mas às vezes é bem duro, é uma vivência única.

katashi: Mas eu gostaria de que você falasse das suas vivências, o que mais gostou, o que não gostou.
marianna: Eu odeio enemas. Eu gosto de ver filmes com o daddy, de pintar, de dormir na cama dele. Gosto de coisas simples. Quero tentar o rape play no futuro
 
kathy: E essa parte do carinho, o lado carinhoso do ageplay, como é?
marianna: É gostoso pra quem gosta de ser cuidada. Eu adoro que me dêem banho por exemplo, então no ageplay isso pra mim é uma prática que me agrada. A gente desenvolve um carinho muito especial pelo daddydom, não tem jeito. Eles são jeitosos, carismáticos e sabem cuidar bem.
 
kathy: E o lado duro?
marianna: Como eles tem total controle, então nem sempre é bom. É difícil não poder questionar e a gente chora muito e apanha muito mas depois tem aquela coisa de se sentir amada e bem cuidada.
 
kathy: E suas roupas e brinquedos, como é, você tem brinquedos?
marianna: Eu tenho roupas da idade, sapatos, laços. Tenho bonecas Barbie, tenho ursos e desenhos em DVD. Tudo mesmo, porque eu gosto, realmente assisto os filmes e curto muito. Eu gosto de brincar, adoro jogos, então se torna fácil interpretar o meu papel.
 
kathy: E ele faz parte da sua vida, o daddydom?  
marianna: Até demais! Saímos juntos, eu dou minhas notas pra ele, ele controla o que vou comer, como vou vestir e se vou ver televisão no dia. Até meu cabelo é ele que arruma, é um papel 24-7. Não tem folga nenhum dia, nem quanto estou doente.
 
kathy: E por exemplo, quando você fica doente, você ainda é a marianna?
marianna: Sim, ainda sou. E ele cuida de mim, claro que isso envolve termômetros retais, supositórios e banhos frios, mas faz parte da fantasia, fazer o que?
 
kathy: Já que falamos em objetos, me diga, você apanha de chicote, por exemplo?
marianna: Não, nunca. É sempre palmada, chinelos, cinto ou vara.
 
kathy: Você é masoquista?
marianna: Quem não é que atire a primeira pedra...
 
kathy: Só apanhar é castigo ou há outros?
marianna: Eu fico na parede olhando pro canto, ajoelho no milho ou fico sem televisão, tem muito castigo na cabeça do meu daddydom

kathy: Você falou em enemas, em que ocasião eles são usados?  
marianna: Depende da cena, do que está interpretando, do que está acontecendo "no dia" da cena...

kathy: Então é muito parecido com o SM normal, só que uma versão com idade e um contexto?  
marianna: Acho que não tem nada haver, tanto que a maioria das pessoas do SM não conseguiriam viver o ageplay, se vestir de menininha e apanhar do papai. O ageplay é muito limitado, principalmente porque as pessoas têm uma ideia muito errada do que é o ageplay. Confundem com pedofilia, abuso... E não é nada disso! São adultos, interpretando uma cena. Role play puro.

kathy: E o papel da mulher como TOP, existe?  
marianna: Existe sim! As vezes esse papel pode até envolver a amamentação - que por sinal tem um gosto horrível. Existem mulheres TOP assim como existem BOTTOM homem.
 
katashi: Pelo visto não há rituais... Mas deve se ter uma liturgia....
marianna: É muito improviso. Tem um jeito das coisas acontecerem, claro, mas é muito improviso.

katashi: E o improviso é o que motiva mais?  
marianna: Eu costumo dizer que o ageplay é uma caixinha de surpresas. Nunca dá pra saber o que vai acontecer.

katashi: Mas isso pode ser um problema. Se não há planejamento....  
marianna: Mas quem pratica age tem um perfil: carinhoso, educador e spanker.

katashi: E do lado bottom?
marianna: O contrário exato.
 
katashi: Seria a carente, rebelde e spankie. Seria assim mesmo?
marianna: Sim.

katashi: Eu conheço poucos praticantes. É isso mesmo, ou é uma pratica mais fechada? Pouco conhecida?
marianna: Pouco conhecida mesmo.

katashi: Mas as pessoas não te questionam? O “famoso” preconceito dentro do BDSM?
marianna: Questionam, as pessoas estranham, acham loucura... No fetlife, nas comunidades que eu participo tem gente que xinga até. Mas quando conhecem aí querem entrar, brincar...
 
katashi: Sim, se sentirem crianças... Rss.
marianna: É uma pratica muito agradável pra ambos os lados.
 
katashi: No age, há pouco contato sexual ou é só impressão? É coisa da fantasia mesmo ou há outros motivos?
marianna: Há pouco. É da fantasia, mas tem gente que gosta de sexo e vive o sexo no age de boa.
 
katashi: Como vocês lidam com a comparação com o incesto?
marianna: Eu acho que todos somos adultos e todos sabemos o que fazemos. Não é incesto e não é pedofilia da mesma forma que chicote não é violência contra a mulher.
 
katashi: você acha que o age é visto hoje , aqui no Brasil , como uma prática pra mulheres carentes, falsas subs, ou que não tem nada disso... É uma coisa que, como o sadismo e o masoquismo, tem o seu espaço e seus prazeres?
marianna: Não sou submissa. Como tudo no BDSM atrai carência é difícil falar ne!! Agora sub não se mete com age porque não gosta. é como o Masoquismo e sadismo, sempre bom.

Entrevista conduzida dia 2 e 3 de março por kathy { K@ }  e katashi { K@ }.

Share

 500 caracteres

Antispam Atualizar a imagem Sem diferença entre Miúsculas/minúsculas

 

Copyright © 2003–2012. Mestre K@